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O Brasil que a ABECO quer: diretrizes políticas em prol da Ciência Ecológica e da Conservação da Biodiversidade para o próximo governo federal

27 de março de 2018

O conhecimento científico é base para a construção e o fortalecimento de um país autônomo e soberano. O Brasil tem dimensões continentais e abriga uma enorme biodiversidade que é essencial para gerar os bens e serviços entregues pela natureza e assim garantir nosso bem-estar.

Cientes disso, os cientistas em ecologia têm contribuído para que a conservação e o uso sustentável da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos sejam parte do desenvolvimento econômico e social do país. Entretanto, nos últimos anos, testemunhamos cortes consideráveis no orçamento de Ciência e Tecnologia e o enfraquecimento da legislação ambiental e de políticas ambientais e sociais como suporte à tomada de decisão em conservação e uso sustentável.

Tendo em vista a importância da ciência no desenvolvimento de estratégias de superação da crise, a Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO) oferece estas propostas fundamentais para a retomada da ciência no Brasil e para a superação da lacuna ciência-aplicação com um governo comprometido em promover o desenvolvimento sustentável apoiado no conhecimento científico:

  • 1) Respeitar incondicionalmente a Constituição Federal e seus princípios (como o respeito à democracia, às liberdades individuais, à função social da propriedade e ao meio ambiente).
  • 2) Fortalecer a ciência e a educação, não apenas recuperando investimentos, mas fortalecendo seu crescimento, como o fazem países que estão na vanguarda do desenvolvimento social, tecnológico e ambiental do mundo (http://tinyurl.com/y74n9dqp);
  • 3) Incluir o conhecimento disponível nas tomadas de decisão ambiental. Uma iniciativa nesse sentido é a Conservation Evidence (https://www.conservationevidence.com/), já com participação brasileira;
  • 4) Regulamentar e fortalecer políticas que promovam a valoração de serviços ecossistêmicos e a conservação da vegetação nativa florestal e não florestal;
  • 5) Estabelecer políticas de prevenção e mitigação de catástrofes que causam danos ambientais (como no caso de Mariana) e ao patrimônio histórico e natural (como no caso do Museu Nacional);
  • 6) Fortalecer as políticas de incentivo à restauração da vegetação nativa , particularmente na Mata Atlântica, o bioma mais destruído no Brasil (http://www.pactomataatlantica.org.br), criando oportunidades capazes de beneficiar a biodiversidade, o bem-estar humano e as economias locais;
  • 7) Investir em infraestrutura básica, como o tratamento de efluentes;
  • 8) Combater o trabalho escravo e respeitar povos indígenas, comunidades tradicionais e defensores de causas ambientais e sociais no país;
  • 9) Manter o compromisso com acordos internacionais, incluindo a mudança de matriz energética determinada pelo acordo de Paris (com redução de 37% de emissões de carbono até 2025; http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris);
  • 10) Fortalecer uma política externa de apoio a iniciativas de conservação e desenvolvimento sustentável, particularmente a países em desenvolvimento e da América Latina.
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